A mística da arquitectura de Luis Barragán e a forma como ela exalta os sentidos através da sua geometria, cor e texturas funcionaram já muitas vezes como inspiração para o mundo da moda.

A sua casa-rancho San Cristobal na cidade de Cuerámaro, México, além relatar uma perfeita simbiose entre o urbano e a natureza, tornou-se no elemento ideal para a poética da campanha da Louis Vuitton.

Enquanto a fachada branca com escassas aberturas faz o contacto directo com a cidade, uma emulsão de cor acontece dentro de portas, conjugando-se de forma emocionante com a natureza. O jogo de luz e sombra utilizado no interior, através de luz natural e artificial, é transferido para o exterior com a mesma exigência. Este é exemplo perfeito da importância da preocupação que arquitecto deve ter também pelo paisagismo, por toda a envolvente à obra construída. No momento de entrada, encontramos um corredor preto que termina numa parede cor-de-rosa. Aqui acontece o primeiro reconhecimento daquilo que é a obra de Luis Barragán. Aqui conseguimos distingui-lo enquanto arquitecto e enquanto pessoa. O design simples, mas poético. O uso da cor e da sombra. A manipulação entre grandes janelas viradas para o jardim interior e pátios nos vários níveis criam momentos de privacidade e contacto directo com a natureza.

Em 1988, esta casa abriu as portas ao público, tornando-se num museu e em 2004 foi considerada Património Mundial pela UNESCO.

O desafio nesta campanha foi respeitar e exaltar a essência deste arquitecto, capturando todos os aspectos marcantes do edifício, assim como uma das suas paixões – os cavalos – que também tinham lugar no momento em que a casa era habitada pelo próprio. A casa Louis Vuitton juntou a sua musa, um cavalo e a alta costura para lançar esta campanha monocromática incrível do ponto de vista sensorial.